11. COMPETÊNCIA PARA AMAR

(Carlos Tê / Hélder Gonçalves)

 

vieste comigo

nesse jeito pós-moderno

de não querer saber nada

de não fazer perguntas

essa pose cansada

tão despida de emoção

de quem já viu tudo 

e tudo é uma imensa

repetição

 

não fosse a minha competência para amar

e nunca teríamos acontecido

num mundo de competências

e técnicas de ponta

a dádiva da fala

quase já não conta

 

depois quase ias embora

desse modo 

evanescente

não soubesse eu ver-te

tão transparente

e teria sido apenas

um encontro acidental

uma simples vertigem

dum desporto radical

 

não fosse a minha competência para amar

e nunca teríamos acontecido

num mundo de competências

e técnicas de ponta

a dádiva da fala

quase já não conta